domingo, 28 de novembro de 2010

...

...tenho saudades do meu Pai
e choro no banheiro por isso
... e nada adianta dizer.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Pássaro espia Piva em Lorca



PREPARA TU ESQUELETO PARA EL AIRE

García Lorca

sábado, 23 de outubro de 2010

Duas janelas na composição d@ foto-poema




Duas janelas na composição d@ foto-poema

Era um dia de tarde quente com
Sorvete na areia da praia suja...
Ou não, ou sim... no mais,
Bicicletávamos por dentro do vento,
Cortando com o tempo, o ventre da noite...
Do dia, catávamos as sementes para o resto do futuro;
Um lugar com pão e sombra e poemas feitos com galhos e sombras,
Com mãos dadas e calorosos abraços sinceros, e o mais importante
Para todo e qulaquer elemento vivo do Planeta Terra...
Neste dia, não usaremos mais janelas para composição de foto-poema algum...
Não usaremos nenhum negativo, nenhuma mídia...
Não usaremos nada!
As retinas bastarão como a seiva e a resina destas
Árvores que tanto nos afagam com seus frutos e sombras e seu vigor imorrível!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Ah...

Mesmo com todos os
“contudos”
atravancando
o total nosso
que é urgente e impávido,
chegaremos lá.
Lá onde só nós sabemos e queremos.
Tudo e todos que tentem...
só o nosso intento é e será válido!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Luz e mais Luz!


Foto - Yves Carvalho










No Meio do Mato

No Meio do Mato

No Meio Do Mato
Sentado
No Meio Do Mato
Pensando
Sentado
No Meio Do Mato
Sorrindo
Olhando
Sentado
No Meio Do Mato
Tocando
Cantando
Transando
Sentado
No Meio Do Mato
No Meio Do Mato.


Jards Macalé

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Metafonia

Se o tônico é aberto,
ou se é fechado;
o tijôlo só importa se forem
tijólos para construir
moradas para quem não tem.

O carôço só importa quando
caróços em barriga cheia de fome.

Fôrno só é válido quando fornos
para o preparo dos caróços.
Para isso; fógos,
pois, com o fôgo,
queimaremos os óssos de quem
desvia impóstos e nos deixa
com o destrôço!

Com os ólhos póstos no esfôrço
bailaremos;
córpos em danças tônicas
de revolta cristalina!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

domingo, 3 de outubro de 2010

Por que os Anarquistas não votam?

TUDO o que pode ser dito a respeito do sufrágio pode ser resumido em uma frase:


Votar significa abrir mão do próprio poder.


Eleger um senhor, ou muitos senhores, seja por longo ou curto prazo, significa entregar a uma outra pessoa a própria liberdade.

Chamado monarca absoluto, rei constitucional ou simplesmente primeiro ministro, o candidato que levamos ao trono, ao gabinete ou ao parlamento sempre será o nosso senhor. São pessoas que colocamos ?acima? de todas as leis, já que são elas que as fazem, cabendo-lhes, nesta condição, a tarefa de verificar se estão sendo obedecidas.


Votar é uma idiotice.

É tão tolo quanto acreditar que os homens comuns como nós, sejam capazes, de uma hora para outra, num piscar de olhos, de adquirir todo o conhecimento e a compreensão a respeito de tudo. E é exatamente isso que acontece. As pessoas que elegemos são obrigadas a legislar a respeito de tudo o que se passa na face da terra: como uma caixa de fósforos deve ou não ser feita, ou mesmo se o país deve ou não guerrear; como melhorar a agricultura, ou qual deve ser a melhor maneira para matar alguns árabes ou negros. É muito provável que se acredite que a inteligência destas pessoas cresça na mesma proporção em que aumenta a variedade dos assuntos com os quais elas são obrigadas a tratar.

Porém, a história e a experiência mostram-nos o contrário.

O poder exerce uma influência enlouquecedora sobre quem o detém e os parlamentos só disseminam a infelicidade.

Nas assembléias acaba sempre prevalecendo a vontade daqueles que estão, moral e intelectualmente, abaixo da média.


Votar significa formar traidores, fomentar o pior tipo de deslealdade.


Certamente os eleitores acreditam na honestidade dos candidatos e isto perdura enquanto durar o fervor e a paixão pela disputa.

Todo dia tem seu amanhã. Da mesma forma que as condições se modificam, o homem também se modifica. Hoje seu candidato se curva à sua presença; amanhã ele o esnoba. Aquele que vivia pedindo votos, transforma-se em seu senhor.

Como pode um trabalhador, que você colocou na classe dirigente, ser o mesmo que era antes já que agora ele fala de igual para igual com os opressores? Repare na subserviência tão evidente em cada um deles depois que visitam um importante industrial, ou mesmo o Rei em sua ante-sala na corte!

A atmosfera do governo não é de harmonia, mas de corrupção. Se um de nós for enviado para um lugar tão sujo, não será surpreendente regressarmos em condições deploráveis.

Por isso, não abandone sua liberdade.


Não vote!

Em vez de incumbir os outros pela defesa de seus próprios interesses, decida-se. Em vez de tentar escolher mentores que guiem suas ações futuras, seja seu próprio condutor. E faça isso agora! Homens convictos não esperam muito por uma oportunidade.

Colocar nos ombros dos outros a responsabilidade pelas suas ações é covardia.

Não vote!


Elisee Reclus.

Tradução de Mario Bresighello

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Capirotagem

Satã abre os braços
com suas flamas doiderísticas.
Derrubadas as estátuas sacras.
Plenário incendiado.
Amor por todas as ruas.
Paixão pelo impossível.
Ela e Eu.

Um filme?!
Um livro?!
- Seria pouco, queremos o Universo, o Multiverso e o resto todo!

Das Eleições

Vote Nulo,
aliás, não vote não...
vá para uma cidade na serra,
ou, para uma praia...

TODOS SÃO IGUAIS, NÃO IMPORTA A SIGLA:
"AS MOSCAS MUDAM MAS A MERDA É A MESMA!"

"Abra os braços
respire fundo
e corte os laços
todos deste mundo..."

Walter Franco

Fila idiota

Uma série de cadeiras cinzas
enfileiradas e um cajueiro visto
pela janela. Incômodo.

Barulhos frenéticos produzidos
por seres acinzentados,
sentados na cinza daeira de metal.

Um barulho, aliás, poluição sonora.

Na outra fila, um cara espirrava.
Eu aflito recheado de medo e revolta.

O arejado ar que lá fora
sente o cheiro do caju,
balança a folha da mengueira
e carrega fraternalmente
o sonido das cigarras agarradas aos troncos;
pacientes em suas eufóricas vidas de 24 horas.

Canção sem nada para dizer, nem para nada, nem para ninguém!

Pelo que você é
pelo que você não é
pelo que você escuta
ou deixa de escutar,
pelo que veste ou deixa de vestir.

Quem você mata
ou por quem,
ou ainda; por qual motivo você mataria.

Pela flor que você arranca
planta
ou dedica um olhar...
do afeto pelo vento
ou pela palavra dentro dele contida.

Pela bicicleta ou pelo papel amassado.
Pelas cores que desagradam,
pelas causas desfeitas,
pelo sangue no asfalto,
pelo cachorro que eu ajudei depois do atropelamento,
pela arma quente,
ou pelo morador de rua que dorme sdentro
de uma caixa de papelão
de um fogão industrial
- seria irônico se a fome fosse uma constante.

Pela grife que
explora crianças de 8 anos na China,
pela Coca-Cola que massacra Palestinas
indefesas em
mísseis fálicos estupradores de lares
detonados por nazi-sionistas-fantoches da Casa Branca...

Pelo bom dia que vocÊ não dá
ao cara que faz o pão que come.

Pela água que eu nego ao inimigo capitalista
e também o ódio flamejante que guardo no fundo do coração
destinado à falsa moral da pequena burguesia idiotizada por
papeizinhos sociais medíocres como a deseducação catedrática,
o sermão hipócrita do padreco pedófilo e doador de seu orifício retal
no dia 13 de cada mês...

Pelo silêncio que eu queria,
pelo perdão que eu não dou ao cristão, ao cristianismo e pelo que tenho guardado
para deus dentro do meu punho ateu!

...

Pelas brincadeiras que não brincamos mais,
pelas canções deslembradas...

Pela impotência que estacionou em meus olhos,
mãos, cérebro e todo o resto do corpo que quase paralisou o coração
quando,
não dei resposta nem consolo ao choro da amada... um choro que já rolou
pelos meus canais lacrimais;

Era uma garota de 13 anos que passou 3 meses desaparecida.
violentada em todos os sentidos mais hediondos...
levaram seu pequeno corpo em um saco de lixo.

O coração está partido e apertado é o nó na garganta...
a pergunta: POR QUAIS MOTIVOS???

Poema-Bomba-de-Raiva-e-Sangue

Logo verão,
no inverno deles,
que dizer "sim senhor"
é um verdadeiro perigo
e que suas ordens cairão
como folhas secas de um outono...
e a primavera,
esta sim será toda e inteirinha
frutífera para os amantes da liberdade!

Outro mundo é urgente!

Talvez seja eu muito novo, ou,
Todo o resto seja velho demais
Para novas idéias.

-É mais fácil pensar em
Coisas novas: carro; celulares;
Bolsas e sapatos...

Sentados num banco

Veja meu bem:
As árvores balançando
Ao querer do vento...
-Problemas delas,
Quem manda não ter
Vontade própria!
...
E mais; se um passarin
Cagar no meu livro,
Enfio um cigarro aceso
No cu dele!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Das inverdades

Não use eufemismo,
nem
terminologia evasiva...
você é mesmo um mentiroso!

Isto o espelho atesta
e o nome inscrito com
navalha em sua testa,
é o mesmo
que sai da garganta ferida,
pois,
teve os tímpanos estourados
com as implosões das inverdades,
digo,
mentiras...

Um poço formou-se
e está por debaixo de seus pés...
não tente fazer muita coisa.
Você afunda em sua lama de mentiras.

Não use eufemismo,
nem
terminologia evasiva...
você é mesmo um mentiroso!


Não adianta.
A vergonha que o envolve como um manto,
não o torna invisível,
nem mesmo o desfaz em milhões de
pedacinhos de confeite
e de vidro e tanta urgência que
taquicardicamente passa por seu pulso rumando ao peito.

Não vale nada.
Sua sombra, sua sobra, sua barba rala...
Suas letras medianas e falhas...

Não use eufemismo,
nem
terminologia evasiva...
você é mesmo um mentiroso!

Assim falou o espelho.

sábado, 21 de agosto de 2010

Vitrolando

Loucamente gira a vitrola
em rotações de 33 violências.

A cerveja esvazia o copo
e com euforia
o cigarro abrasa seu minuto de chama.
Enquanto eu, sinto
o muito e o estômago se diverte com o pastel...

Ela,
com Mário Quintana; bela foto.

O disco tremula e da estante,
os livros emaranham-se uns aos outros...

Ginsberg agarra Sade e do azul,
Mário Gomes esbraveja aos quatro ventos seus prós e contras.

Sinto leveza no corpo e complexo é o espelho...

O brilho advém do beijo. Ela sorriu!
Assim, emana seu encantamento e a envolvo em silêncio
com estas palavras que apanhei do chão do quarto...
catadas e catalogadas dentro da ventania causada pelo ventilador
que tudo balança - eis os seus cabelos pretos!

Mário Gomes saiu para dar uma volta com Virgínia e,
acabaram vitimadas por Man Ray.

Enquanto tudo isso rola, Ela continua compenetrada em sua leitura.

Ave Poesia!
Ave Lucifer!

Receituário

O alívio de escrever
algo que assalta
o sossego de seu banho
é o alívio de um doente
quando medicado.

Para Fontela

Sabendo do que sei e do muito que o tulmulto e o acúmulo de leitura, filmografias e balaios sem fim, afirmo o que abaixo segue.

Meu caro, se o respondo com atraso, não é malquerência, nem outra coisa rançosa de pessoas possuídas pelo tempo presente, ou pela manifestação matreira desta egoísta sociedade...

Não o respondo com a urgência devida por vivência - e no melhor sentido.
Espero que aceite estas frases sem graça, sem sabor de cerveja, mas, afirmo;
a Estima é a mesma, tal e qual a necessidade de uma mudança radical em nossos Pilares socias e primordialmente, os pilares Humanos.

Antes do fim, queria perguntá-lo sobre uma coisa que anda encuncando meu cérebro besta; Para onde as nuvens voaram?!

No mais, Saúde e Anarquia!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Teu corpo dorme e teu sono eu guardo.


Quase o dia passa ao outro pela porta da meia-noite. Hora de uivos e coisas da cabeça de loucos, de bêbados, amantes e até dos tontos de pé-na-cova.

As nuvens possuem uma linguagem atraente aos ouvidos de Ginsberg. O vento chamusca a pedra com água e a rota da chuva é desfeita de sentido pelo grito desafinado do vento que, despreparado, enraizou pensamentos em um lugar distante. Cheio de árvores e animais amoráveis como amigos, não como alimento.

Eu brincava com a letra ensopada do macarrão instantâneo e criava mais uma coisa dadaísta sem fronteira, sem parâmetro e sem regra – coisa mais idiotizante é uma regra, não?! -, mas, com muito afeto e pimenta.

[FOTOGRAFIA-RELÂMPAGO; AH... UM PARLAMENTO EM CHAMAS É UMA LINDEZA!]

Sim, agora falo da Quimera-Dançante; Real e Onírica. Encanto... Ela dorme em paz e não há monstros, ou, rastro de monstros entre a cama e o solo, creia!

Agradável é um atentado poético com pólvora e flores e fumaça azul!

A noite transita e berra e leva a nuvem para perto dos ouvidos de Ginsberg. Ao seu Lado está Burroughs lendo Uivo entre outras cartas extraviadas em uma caminhada pela América do Sul.

Enquanto penso, vejo o lençol que a envolve. Amorável. Convite para caminhada. Beijo selado em de boa noite, olhos apoemados e mais uma certeza diária. Nossos tons ovidianos são nossos. Nossas músicas e fotos e fatos e beijos são mais interessantes que o noticiário.

No entanto, não abrimos mão de uma boa e incendiária revolta. No mais, VOTEMOS NULO, ou melhor, QUEIMEMOS O MUNDO, POIS DAS CINZAS DE SUAS CIDADES, ADUBAREMOS ALGO VIVO E NOVO, ALGO QUE CUIDAREMOS EM AMOR E LIBERDADE!

domingo, 25 de julho de 2010

Germinal

Ela possui uma mão que aplaca fúrias e isso não é parte dessa mediocridade que possui os dedos e descreve o que dentro pulsa. Retalhos costurados e com um esmero agigantado. O vento levou o verme e o fantasma não reluz. Há tempo de espera e tempo de espreita. Tento abraçar a calma do sorriso que ela lança aos olhos que possuo nestas covas onde guardo meus olhos.

Não há espaço para esperanças em minhas mãos, bolsos, linhas ou ainda nas fotos desfeitas de preparo e técnica. Sou meio tapado, mas, esperar não dá rock, nem samba...

- Esta é a parte em que escrevo - Não soltemos as mãos.

Desmotivos aos montes poderemos juntar. Erros e mais erros. Medos e outras coisas que em nosso âmago rastejam ou, saltitam.

No entanto, Maior é a pequena palavra que é nossa. A casa e o corpo, as bicilcetas e todo o resto que cabe e descabe nas cestas e garupas destas bicicletas que o futuro reservou com nossos nomes.

Germinado estamos. Ramos e ofertas. Uivos festivos que só nós ouvimos.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Café doce, bem docinho...

E um cigarro apagado. sim, apagado. Bom mesmo é o fôlego dum "blues man", mas, este pulmão esquerdo reclama muito, sabe? E o direito faz tudo o que o outro quer... Apageuei os cigarros. Pelo menos por enquanto. Ando muito ocupado com sorrisos para perder tempo com um desses em meu bico.

Café doce não é muito bom, sabe? Mas a vida é legal algumas vezes... como diria uma pessoa que está muito longe; " A vida é bela, a gente que caga nela..." pois é isso mesmo...

Há neste mundo, uma infinidade de desencantos, sim, todavia, buscá-los exaustivamente não prova nada, nem mesmo desprova... apenas atesta como a merda está em nossas cabeças e como continuamos a defecar em nossa própria porcelana chinesa.

Depois de tanto jogo idiotizando meus sobrinhos, rolará uma odiosa e massiva campanha eleitoral que não é política, não é democrática e nada do que a TV e seus acionistas inventa, enquanto pagam suas meretrizes para uma - alguma criança passa a vista por aqui?

Pensei muito nestes últimos dias e descobri que posso ser um candidato também...

EU SOU NINGUÉM... SOU DO PARTIDO DOS INTEIROS E MINHA VIDA É UM LIVRO ABERTO... PEÇO SEU VOTO PARA DEMOSNTRAR O QUE FALTA NESTE E NAQUELE GOVERNO... PEÇO QUE ASSINEM UM CHEQUE EM BRANCO E VOTEM EM MIM...

LEMBREM;
NINGUÉM FARÁ NADA POR VOCÊS!
NINGUÉM INVESTIRÁ NA EDUCAÇÃO!
NINGUÉM CRIARÁ UNIVERSIDADE DECENTE!
NINGUÉM ABOLIRÁ A VIOLÊNCIA!
NINGUÉM INVESTIRÁ NO SANEAMENTO!
NINGUÉM É DEMOCRÁTICO!
NINGUÉM IMPORTA-SE COM A CLASSE TRABALHADORA!!!

...

PESSOAS VIVAS E MORTAS; ACABEM COM ISSO! NÃO VOTE MAIS, PRECISAMOS DE LIBERDADE E NÃO UMA FALSA DEMOCRACIA!!!

FOGO NAS URNAS E EM TOD@S @S CANDIDAT@S!


ELEIÇÃO É FARSA, VOTO É ILUSÃO!!!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Denunciando

Saber das horas e das passagens. Do Amor e da saudade, saber da greve, saber do pulso taquicárdico, da Asma e do ácido estomacal. Saber do sal e das batatas - o bem-querer é maior que a pitada de sal. Sua voz. Sua voz...

E um sobrinho viu seu tio na rua e quando adentrou a csa disse; "tu tava pensando na morte da bezerra..."... mas nem era isso... o tal tio pensava apenas na Mulher Amada.

Saber das horas e das sombras. Saber do futuro, do amor, do amor...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Plantio de vacas

Entre a roupa e o beijo; o toque.
Entre o Dino e Dona; o Plantio de vacas.

Noite e dia; madrugada.
Chuva.

Dia de claro toque,
toque claro;

Amor.
Simples e certeiro.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Revolvendo

São tantas as palavras que saltitam por dentro da cabeça neste exato quando... bate até um tipo de desespero... não que o cinzel se faça necessário, ou ainda, uma flanela para polir a palavra dura e marmórea, não. Estas, que planam por dentro das horas, saem mansas de sua tocaia, digo, morada.

Palavras... palavras... palavras... tão queridas e carregadas de nojo! que coisa mais contraditória!

Todavia, são elas que desnutrem o meu arquejo e enervam meus uivos mais vivos... se por vezes nego a palavra para algum alguém, pode ser por falta de tino, educação, ou ainda, alguma coisa que ainda não possui alcunha. Afirmo que por vergonha besta não falei com ela.

Sim, e agora?

Agora, depois de muito tempo que não esvrevo mais aqui, não sem nem ao menos como escrever um mero "boa noite" - mero boa noite? de onde isso saiu? não dou um "mero" boa noite... ou é, ou, não é, oura poura...

Reaproximações são estranhas e não sei onde tocar no corpo da palavra. Talvez ela queira uma dança, vez tal uma mão em sua anca, ou ainda, deseje mais, deseje uns acordes cacofônicos maiores que somente nós sabemos recitar... sem comentar as cores, o acordar, a cor da corda e o próprio acordo.

Divagações e mais divagações. há muita coisa que pulsa nessas pontinhas de dedos que carrego por dentro do mapa da noite. O caderno é bússola, a caneta, bem, é uma caneta. Tilintam os segundos e os ponteiros... as horas malditas não passam. Que o amanhã venha de braços largos e desfeitos de atravancos, que nossos nós azulem o céu de vergonha!

Fotos feitas no período da tarde e cerveja para dentro da boca da noite; nós. Beijos e risos só nossos, sim, só nossos. Planos e sorrisos e castanhas. Como foi belo o mastigar,
os olhos e-n-t-r-e-a-b-e-r-t-o-s... a voz suave e um leve balançar de cabeça... ah e o cabelo, o cabelo com um cheiro novo - não incômodo -; cítrico.

E eu tietando-a. Com beijos escondidos e abraços saudosos... dedos e dentes. Sonhei com uma tartaruga velocista, ela usava drogas, acreditem, sonhei com uma tartaruga cheiradona, digo, trincadíssima, sim, ainda por cima, mordeu meu dedo, tanto sangue jorrou... tanto que precisei da ajuda de um morcego.

Pois, aqui tudo junto e misturado e ispicialmente falo, digo, grito, timbro; Amor. Aqui ou lá, estaremos bem. Bonissimamente bem. Com cerva ou não, mas com café e bolo de cenoura!

VENCEREMOS!!!

SAÚDE, AMOR E ANARQUIA!!!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Isto sim é poesia!

poetamariogomes.blogspot.com

Charme nenhum neste homem sem visão

Como arde tudo que ainda não foi escrito...
Pobre das palavras que não sofreram
o peso da minha caneta!

O sentir que a infância amplia,
a reverberação dentro caixa torácica
da palavra-blasfêmia-afiada,
o grude feito apressadamente
para colar um cartaz
amaldiçoando qualquer candidato!

Ah, que falta sinto de morrer!
Que falta sinto de matar!

O plástico voando,
o tempo vomitando segundos
e os relógios
engolidos pela perversão dos talões,
dos cartões,
das moedas,
das doenças,
do verso-de-pizza-mole,
do castelo-de-cartas-de-violências-amáveis,
de loucuras queridas,
de beijos com mordidas,
de olhos mordidos por baratas,
de ingresso para rinhas de patrões e putas,
de carros furtados por cavalos saídos dos motores,
de trotes, de trotes, de bandeiras de pólvora,
de meus dedos,
de minhas vértebras de ócio e de aço inoxidável,
sim, eu tenho sons de beethoven e sonic youth num mesmo mp3 arranhado.

Ah,
eu já profanei um altar,
eu já quis matar mais de uma vez,
eu quero um cigarro, eu quero café sem açúcar!!!

Arde a palavra-pimenta
como uma cócega,
ela vem e faz com que a rendição seja
iminente!

Ah, os espaçado entre seus olhos,
o teu sorriso de azeite e tomate e sal e cebola e salsa!
- este é o teu sorriso!

E a palavra não escrita,
vocifera em nome de satã!

E é dentro da mordaça que o ódio é sentido,
como o sangue pactual no lábio que
toca o palato.

Ah, são as palavras de ódio e de amor
que procuram espaço por dentro das veias,
mas,
o mundo é muito rápido...
imagine a Terra girando numa velocidade de 30 km/h!
As palavras, vomitariam todas as suas letras!

E não queremos isso, queremos as palavras
em muros no tempo em que protestamos,
e em bocas quando nos beijamos!

Algumas palavras acham que a vida é uma piada e nada pode aliviar nada!
Algumas vezes, mastigo uma dessas!

Mas agora,
todas as palavras que aqui martelavam,
tomaram sonífero...
- dose certa?!

Arde o estômago e a necessidade não morre.
Contando os dias.
Morrendo quase; saudade.

As ruas atravessadas por carros e é minha cabeça que está doente...
sim, isso eu escuto. Ciclovias?

O dia raia e o monóxido entope meu nariz e
tenho de socá-lo para abrir caminho para
a poluição ocupada pelo ar...

Frágil? Fresco? Florzinha? Frutinha?
Fodam-se e morram em seus cidades
grandiosas e cheias de tédio amenizados tão-somente por vitrines!

Fodam-se e morram - nossa, mais um blog de baixo calão! meta-o no monossílabo!
Sua moral-de-novela-das-oito, sim meta-a no monossílabo!

Motörhead e cerveja e cigarro e mais cerveja até o tédio passar!

O ventilador só jogará merda e lixo em sua cara ao volante,
sim, o mesmo lixo que foi jogado de dentro de seu carro,
ou, do busão que seu primo estava, ou ainda,
na lojinha, ou ainda, dentro do motel em que o Padre Fodia a Freira,
que fodia por sua vez, uma outra, que era fodida por outro menor.
Isso aconteceu?

Escuto algo suave para que a raiva não apodere-se de mim.
Queria beber. Queria olhar para os olhos que só ela tem.


- Feche os olhos gafanhoto...
Não há futuro por aqui, abandonai este galho fraco e podre.
- Abra as asas gafanhoto!
- Toma teu último trago e vá para a cama, você já falou demais enquanto bebia!

*******************************************************************
Cena real de pura vergonha: Minha Irmã vendo a novela, minha vó vendo novela e meu sobrinho tomando coca e vendo novela.
*******************************************************************

Papa-papa-anjo!


Ela disse assim:



"...levantei tão tão..."
...
E eu que já sou tudo-e-tanto-quanto-tão-tão-tão-tão-tão...
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



- Darth Vader dará minhas contas! rsrs...

E...



[ nós sabemos, né?! ]

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sonic Youth

Ainda com a mesma vontade de ontem de dormir - e não acordar -, decido escutar alguma coisa para que o tempo - este vasto e altíssimo inimigo - trasncorra e que outras coisas atravessem este corpo raquítico que possuo.

O tempo escorre lento. Esquálido. Ouço "Providence". Querer morrer já não é uma necessidade. É um desejo que realizarei, não agora... mesmo assim, não sei se ainda usarei o g.l.p., ou, uma corda, ou ainda um tédio grandioso. Todavia, são os barcos e os olhos que atracam e chamam minha atenção e abrasam e desfazem os frios.

Abro as janelas do espelho e penso que o resto das pessoas poderia sumir e a chuva tomaria conta do final da tarde. As mãos se esbarrando. Cigarro aceso apressadamente por baixo das mãos e um dançabilidade estranha e verdadeira. Subir em troncos. Chutar lama. Sujar roupa.

Pensar no mundo do dinheiro e desmoralizar sua moral. Sair gritando por aí que o mundo do dinheiro é falho. Que o Capitalismo falhou e nenhuma agremiação política-idiotizada-partidária suprimirá a necessidade da AUTOGESTÃO!

*** *** ***

SEJA BURRO E ESCOLHA SEU ALGOZ; VOTE!

*** *** ***

Finalizar com aspas:

" O POETA APONTA A LUA O IDIOTA VÊ O DEDO! "



Mil maldições para todos!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

E o tempo é... um telefone azul ainda no gancho.



Ou,
não...

O tempo é a urgência do café forte e amargo.


...

Chuva durante um tempo,
saudade durante outro...
- seria a distância um mero cálculo?!

...











OS ROBÔS

A ferrugem anda de casa em casa
em busca dos homens de ferro.
De manhã eles
deviam puxar-se uns aos outros
com um gancho
de debaixo dos destroços da ferrugem.


Por isso os homens não queriam mais
ser homens de ferro.


E vi grupos inteiros
de homens mecânicos
que, enjoados de qualquer tipo de máquinas,
regressaram à carne ancestral,
a pé.


MARIN SORESCU


Sem mais nada para dizer, espero o passar do tempo e o tilintar do telefone.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Desejo

Desejo uma morte lenta para todos os patrões do mundo.
Posto que, "Patrão bom é patrão morto!"


Sim, é sincero o meu desejo!
Maldito e intenso!


"Ave Lucifer!"

Turbilhão

Por vezes, o tempo estanca.
Noutras, tudo confusão...

Mas é dentro do turbilhão
que está o sossego.

A luz é mais azul quando
ocê despedaça o pão,
usa a cinza camisa do Floyd
e
as horas são mais calmas,
galopáveis,
em uma locação tranquilizadora
e uma música denunciando isso tudo.



Pássaros testemunhando tudo...
...
e a noite passou.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Naquela foto de amanhã




Brilho nos olhos.
Chuva caída,
viva e uivante.
Na foto de amanhã,
mais chuva e,
entre as cobertas, nós.



quinta-feira, 29 de abril de 2010

Ouvir Velvet Underground é...

É pensar em ocê,
de mãos no bolso,
com olhos voltados aos meus
e
com um sorriso
de um sinal
ao outro.

Com mãos enlaçadas,
numa calçada defronte ao bar,
ou,
no
verde-lodo
da tinta fresca
no banco da praça...

Estes teus olhos
enfarolando meus barcos...

Estes domingos tão nossos...
estas tardes...
....
Estes
todos-totais!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Passado e pisado

Algumas vezes sinto-me doente.
Infeliz.

Não venha segurar
o sol por mais de 12 horas.

Não faça a chuva estancar
em minhas veias tão cavas.

Algumas vezes preciso ficar
com o silêncio
acarinhando meus ouvidos.
Algumas vezes
é um tipo de encantamento
misantrópico.

Algumas vezes,
por minutos...
outras vezes,
são meses que observam o caminhar
ausente de tudo/todos.

Nesses casos,
existem garrafas
com mapas e cartas
respectivas...

O vinho sabe qual é a latitude,
a vodca, a longitude.
O cigarro é minha lanterna.



Abril / 2009 - Exatos 365 dias.


Nota:

Estranho é o tempo que engana as pessoas... 365 dias, com extrema exatidão... Ainda bem que o tempo passa, ainda bem que já sabemos fazer nossos barcos, ilhas e mares - sem tubarões!
... Ainda bem que já somos nós!

R.C.

Primeira Segunda

Velvet
Underground
café e cigarros,
depois,
os livros que você
emprestou-me.

Não é mais um silêncio
secreto
que cala quando a voz,
pulsa dentro da garganta,
ou,
quando pula
dentro do peito
uma cigarra gritando
e dançando
dentro
de uma
câmara
de eco.

...

Eu já seguro sua mão.

...

Mil barcos!

...

Não é mais o silêncio
que saltita manco,
não!

São os passos
desse relógio
sem ponteiros,
dessa peça
ainda em polimento que somos nós,
sim,
por dentro,
passando em si, correndo ao outro...

Um
segurar de mãos é
mais que
um multiverso inteiro!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dístico para ela saber que o Mar não é ilusório

Se ocê deixar seu medo no porto,
afogo o meu antes do embarque.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Um pomar de 36 chaves

Sim,

"Os brutos também amam"...
...
E de forma violenta...
tal e qual
o desabrochar de uma flor!

Ou ainda como o movimentar
de sapatilhas aladas!

Ou como a grande implosão
que trazemos dentro do peito...

Os brutos leem poemas e
fazem café forte e
amargo
para acompanhar
seus cigarros.

Os brutos morrem
de medo de envelhecer
sozinhos,
por isso mesmo,
os brutos,
vão para o campo
arar estrelas
em suas bicicletas
de cestos e garupas...

terça-feira, 20 de abril de 2010

Café para dois

Uma sopa de silêncio e chuva.
Não um silêncio manco,
ausente,
mudo... não...
este não,
"nanão",
não mesmo...

Um silêncio
harmonioso,
enlaçado
entre os
braços
e
outros clichês
de noites chuvosas...

Ah,
este pulso
taqui
qui qui qui qui qui
cárdico
que levo dentro do bolso,
que sinto dentro
do livro,
do teu nome,
da falta do teu nome,
da curva dos teus cabelos
curtos
onde cabe uma
rede e um balanço...

Este tudo que ainda não pulsei,
bate à porta e não pede licença...

Entra e diz;
Café para dois.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

"Olho meu rosto no espelho e depois vou dormir..."




Pensei em regular a bicicleta ao sonho
e sumir, sumir, sumir, sumir e sumir...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Chuva...

Caindo... caindo...
- virás com a chuva?!

Um café, Um café de verdade...

Eu,
com todas minhas manias,
desgostos,
fúrias e louvores silenciosos,
seguraria suas mãos.

Eu,
de medidas estranhas,
de sangue amargo,
de cabeça baixa,
de chuva no pensamento,
brincaria com seus cabelos
e pensaria num vento forte,
talvez,
sim,
dentro de um talvez
você fosse apanhada pelo sono.

Eu,
tão verborrágico no silêncio,
tão desfeito de métricas,
tão desprovido de metas,
tão relaxado,
tão ex-sonhador...
paro e penso
nestes olhos que sei que são seus...

Eu,
sabendo que um raio não sabe nadar,
sabendo que um dia o Ferroviário será campeão,
sabendo que as festas sempre serão enfadonhas,
que os músculos da tua perna são rijos, sabendo
dos cigarros adornando com fumaça nosso quando,
sabendo que Buñuel é o melhor do mundo,
que a taça de vinho é nossa,
que os espelhos quebrados não servem como antes,
que a minha lista de desejos é imensa,
que seu balançador será posto no local adequado,
que sua presença é assustadoramente apreciada,
que eu fico trêmulo algumas vezes,
que eu não sei, que eu não sei, que eu não sei...

Mas sei que sinto
algo na garganta ainda sem nome.

Aspas e aspas para o dia de ontem.

" Ah, como me dói
o dedo grande do pé direito!
E o coração, o coração, inefável unha
crescida na carne!"

Marin Sorescu

terça-feira, 13 de abril de 2010

Um sopro e um encanto

Um saxofone ocupava o meu sonho
quando ela abraçava o travesseiro
e a lembrança dum banco verde.

Eu quero voar e não temer a altura.
Quero não estar à deriva.

Que os ventos venham brandos.
Que em seu leito as dores cessem.

Que o café não amargue nossas bocas.

Um saxofone soprado por alguém sem rosto.
Uma tinta verde.

Um encanto.

Até deslembrei da cebola,
da faca e
do corte em meu polegar esquerdo...

Um encanto.

terça-feira, 30 de março de 2010

A revolta e a calma...

Há 92 dias o corpo de meu Pai dorme.
A tarde leva a lágrima e acendo um cigarro.

terça-feira, 23 de março de 2010

Indançável

No cretáceo,
a primeira borboleta pousou na primeira flor
e o
último dinossauro apodrecia ao meu lado,

Ela dançava,
e eu estava no México,
experimentando nachos.

Eu olhava a lua,
ela dançava enquanto eu ficava tonto...

Depois,
vimos o mesmo pergaminho em Tebas,
mas nossos horários eram diferentes...
- dentro de outro depois,
ela foi até Pompéia
e
bebeu do vinho
da ânfora mais adornada.

Mais uma vez ela dançou.

Antes disso,
encontrei dentro do fracasso
um palhaço fora do circo.

Depois um espelho estava
em cacos.

Um embaraço sem tamanho!
Depois toquei música indançável.

Ela ainda dançava dentro do ônibus espacial.

Depois, quer dizer,
antes,
tentei falar com a dançarina,
mas não encontrei nenhuma frase.
Depois ela dançou outra vez.

Ela dança dentro da estação espacial?

sexta-feira, 19 de março de 2010

Borboleta


Notícia para quem está no Crato.

Tomara que o disco dure mais 70 décadas!
Tomara que sua agulha seja forte e altiva!
Tomara que um dia possamos nos rever!

E se vc quiser escrever, que seja por querer!
Desculpe se de alguma forma,
Desfiz seu gosto e cobrei a tal carta!

segunda-feira, 15 de março de 2010

15 de Março

Postagem de número 100, ainda sem noção e sem qualquer predileção pelo bom senso. Escrevendo torto, ainda cansado e de malas prontas para o embarque no vagão da morte.

8030 dias de pura decadência. Nunca gravei com nenhuma das tantas bandas que já "toquei".Desfiz todas as promessas da infância. Não toco violino e meus sonetos precisam de gesso. Tô sem grana, mas, não tenho muitas dívidas.

Estou encantado por uma garota e não tenho coragem suficiente para dizê-la o tamanho deste encanto. Não sei se fiz bem em entregá-la uma folha azul com muitas letras colhidas em devaneios...

Mas um dia dentro deste ano-novo, perguntarei com os olhos fitando o chão e voltando aos seus olhos - como num zigue-zague-; um café?

Como assim comemorar mais um ano de vida? Este ano meu Pai não perguntará: "...são quantos anos mesmo?"... Que o cancêr venha rápido! Fumemos mais e mais! Ah, que mistério possui a morte... até outro dia.

Ontem foi o de Castro Alves e também o dia da Poesia. O que ele achava?

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Caneta de tinta preta

Minha caneta de tinta preta
é minha companheira e minha confidente.
Nunca se desespera,
ao contrário,
ocupa o meu desespero e o transparece em tinta.

Sabe de minhas escolhas e de minhas perguntas.

Num quase desespero suplico ajuda.
O juízo acabou.

Caneta, eu não quero mais ser
ser humano,
eu quero ir embora na sua tinta para longos sonhos...
mesmo sabendo de suas dores...

Caneta,
lanço uma proposta: fuja!
Liberte-se de mim!
Sou eu quem a sufoca.

Liberte-se de mim!
Vá, sonhe e escreva sua história, e se puder,
minta sobre minha pessoa, fale que eu era feliz.

04 setembro 06

sexta-feira, 12 de março de 2010

Postulado

A paixão é
uma maçã-do-amor
adornada com navalhas.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Daquele abraço...

Na verdade, estou cheio de uma estranha euforia que pode muito bem não ser nada depois de um punhado de tempo, ou, pode ser o contrário... pode? pode? vc iria comigo num vagão destes perigosos trilhos?

Escutaríamos Etta James e mastigaríamos nuvens, lamberíamos músicas atonais - seríamos "junkies"?! -, ou quem sabe não.

Ou nada não, é só loucura...

Mas que voz é essa que você possui, hein, hein, hein, hein, hein, hein, hein? Que maciez... será que ao xingar ela também possui toda esta tonalidade? - você xinga?

Sou apenas um bicho curioso... às 23 horas cheinho de nadas e café. Escutei Floyd e fiquei com a lembrança do seu abraço mais avivada... - sabia que gelei?!... Ainda bem que você não possui nome, e assim sendo, só nós saberemos...

Será que você leu o que há tempo preparei?
Por quais motivos sinto esta ânsia fora do comum?
Você gosta de plantas?
Você gosta de jujubas?
Você respira como o resto da humanidade?
...
Você acreditava em vida pós-parto?
...
PIEGAS!

Só isso.
Esse tipo de coisa não se diz mais.
Etta sabe... -eu sei que ela sabe.

No mais,

"com borboletas no estômago".
[ em pensar que quase falei algo... faltou o quê? vamos, dou um doce - não é lsd! - para a resposta certa, vamos lá, responda, estamos ao vivo para o resto do mundo...

temos alguém na linha!
alô? alô! quem fala? é o fulano e eu sei a resposta! pois sim, diga, queremos ouví-la! ele tava era com medo! você poderia repetir? ele ta... alô? va com... alô? hã? temos um problema técnico ( voz em off; corta, tira ele do ar, apresente os comerciais!) pois bem, temos como patrocinador do nosso programa: grite que eu te chuto, sabão pavão misterioso!]




...


Daquele abraço... daquele abraço eu num deslembro!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Palavras contra o carnaval I

Só agora encontrei forças para escrever sobre o carnaval. Na verdade só agora encontrei o bloco de notas que funciona como memória removível. Dentro desta tarde, alguém está morrendo por inanição, mas, o que diabos temos com isso? O que importa é o nosso MIGO e mais nada. Foda-se a globo, deus e o resto do mundo. Mas bem que as coisas poderiam ser de outra forma...

Segunda de céu azul. Coqueiros balançam ao querer do vento e meus ônibus sempre atrasam... Minha mãe sempre encontra um garrafa vazia nas minhas coisas...

Mas agora as imagens serão editadas, e depois, digitadas, e depois, nada mais haverá. Apenas um monte de entulhos que soterra o aterro deste doente que escreve. Sede e ressaca.

Dentro uma tarde de carnaval, encontrei um cara bêbado com roupas sujas, depois descobri que ele era um grande fã de bebidas e também era guia turístico alternativo: ele apresenta todos os bares aos turistas e pede como gratificação um litro da aguardente mais quente... Este encontro visual foi na quinta anterior ao carnaval. Durante a festa noturna, ele dançou estranhamente causando constrangimentos nas pessoas que também estavam bêbadas e quase desnudas... Ele ficou com a mesma roupa até quarta-feira de cinzas... Sua aparência era cinza como o meu humor de pessoa chata que não dorme.

Noutra tarde, fiquei abobado com a capacidade do gênero humano ser tão desprezível! O "tradicional mela-mela", é uma das coisas mais burras que presenciei em 21 anos de desprezo, ódio e "vida". Fiquei muito puto e fiz um cartaz com a frase: "FAÇAM TAPIOCAS!"... Arranquei risos da "manada de normais" e fiquei ainda mais puto. Uma garota veio falar comigo e disse; toma aqui (estendendo a mão com um punhado de goma) e vai fazer duas pra gente... Ofertei o sorriso mais amarelo do mundo e a mandei aos quintos infernais com um leve movimentar de sobrancelhas...

E depois?

Depois eu soube por intermédio de uns alienígenas que um cara de aproximadamente 28 anos morreu no meio dessa medíocre brincadeira de sujar uns aos outros... Eu não vi nada, mas, tod@s que lá estavam, viram, e contam que ele morreu vítima de uma overdose de goma.

Acreditem!

Seria muito melhor se a multidão tivesse ouvidos para minha voz. Todavia, o problema não é a multidão com seus passos definidos pela dança da chapeuzinho, ou do rebolation, não! O problema: eu. Acompanhe o raciocínio: 20 mil pessoas numa praça e apenas eu penso no quanto o mundo é triste, e como todas as suas realidades são falsas e todas as pessoas são problemas futuros... Eu sou o problema... Por quais motivos estas cabras que pastam estariam erradas?

E agora?

EXTRA! EXTRA! EXTRA!

Homem que iniciou a campanha "FAÇAM TAPIOCAS!" foi brutalmente espancando pelos foliões da praça principal da cidade de Beberibe - o carnaval mais perigoso do Ceará, segundo a própria polícia Assassina - onde despejaram aproximadamente 500 mil toneladas de goma por metro quadrado.

O homem que ainda não foi identificado teve 38 perfurações. Morreu ali mesmo, no meio da grama coberta de goma. Onde ele foi derrubado, formou-se uma grande poça de sangue, logo, foi feita uma massa com sangue, goma, manteiga e ovos. Estava tudo bem, pois, haveria dentro de pouco tempo, um novo quitute carnavalesco.

E agora?

É isso. Nada de novo, ou, feliz. No mais, rasurei propagandas, urinei na porta da igreja, blasfemei. Escapei de algumas gomadas e fui ao mar. Tomei banho e fiquei vermelho... Só para não perder o final infeliz; a maré levou meus óculos escuros - Jonas, preciso de seus óculos mais do que nunca!


E depois?

Mais um bêbado fazendo "bebice"; dançando hipnotizado por sua sombra.

E agora?

Agora eu era.

Palavras contra o Carnaval II

Ouvindo o que o vento-de-chuva diz,
provei do inevitável.

As chuvas só aumentavam
tendo a lua como rumo.

Acostumar-se com
o café sem gosto é a maior impotência.

Molhado e com frio.
21 carnavais e em nenhum fui feliz.

Nota solta número 2765

O vento ainda toca a canção que que só os galhos sabem dançar e Gabriel brinca.
Dentro desta brincadeira há um mapa que leva ao reino da felicidade e só gabriel sabe onde ela está.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Antes que o estio cesse...




Deixei de saber querer e o café é o que assegura os pés ao chão.
O tédio é vasto e altíssimo.
O tempo não estanca.

Meu teremim não está pronto.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Por aqui e acolá; luz!










Nenhuma surpresa

Passo o dia esperando a noite chegar.
Abro o livro e ouço a mesma canção mais uma vez.

A história é a mesma e não adianta
[re]ouví-la.

Num galope,
tudo se esvai.

Agora não há retorno,
a estrada muda com o tempo
e
quando lento,

Tento correr mais um pouco,
mas são as amarras do
vento que derrubam
os
passos magros

Purulentos e
caducos.

A noite passa e
não tenho forças
para
dizer o que pretendo dizer.

A lua ainda é um pórtico, mas,
não há
nada
para
além...

Deveria ter entregue 4 filmes na locadora.

Deveria ter gritado.
Deveria ter feito.
Deveria falar.

Deveria ter sido.

Devendo.

A vida está devendo.
Vendida.

Paro e penso no quanto é raro tudo o que não toquei.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O homem de cabeça de papelão

João do Rio


No País que chamavam de Sol, apesar de chover, às vezes, semanas inteiras, vivia um homem de nome Antenor. Não era príncipe. Nem deputado. Nem rico. Nem jornalista. Absolutamente sem importância social.

O País do Sol, como em geral todos os países lendários, era o mais comum, o menos surpreendente em idéias e práticas. Os habitantes afluíam todos para a capital, composta de praças, ruas, jardins e avenidas, e tomavam todos os lugares e todas as possibilidades da vida dos que, por desventura, eram da capital. De modo que estes eram mendigos e parasitas, únicos meios de vida sem concorrência, isso mesmo com muitas restrições quanto ao parasitismo. Os prédios da capital, no centro elevavam aos ares alguns andares e a fortuna dos proprietários, nos subúrbios não passavam de um andar sem que por isso não enriquecessem os proprietários também. Havia milhares de automóveis à disparada pelas artérias matando gente para matar o tempo, cabarets fatigados, jornais, tramways, partidos nacionalistas, ausência de conservadores, a Bolsa, o Governo, a Moda, e um aborrecimento integral. Enfim tudo quanto a cidade de fantasia pode almejar para ser igual a uma grande cidade com pretensões da América. E o povo que a habitava julgava-se, além de inteligente, possuidor de imenso bom senso. Bom senso! Se não fosse a capital do País do Sol, a cidade seria a capital do Bom Senso!

Precisamente por isso, Antenor, apesar de não ter importância alguma, era exceção mal vista. Esse rapaz, filho de boa família (tão boa que até tinha sentimentos), agira sempre em desacordo com a norma dos seus concidadãos.

Desde menino, a sua respeitável progenitora descobriu-lhe um defeito horrível: Antenor só dizia a verdade. Não a sua verdade, a verdade útil, mas a verdade verdadeira. Alarmada, a digna senhora pensou em tomar providências. Foi-lhe impossível. Antenor era diverso no modo de comer, na maneira de vestir, no jeito de andar, na expressão com que se dirigia aos outros. Enquanto usara calções, os amigos da família consideravam-no um enfant terrible, porque no País do Sol todos falavam francês com convicção, mesmo falando mal. Rapaz, entretanto, Antenor tornou-se alarmante. Entre outras coisas, Antenor pensava livremente por conta própria. Assim, a família via chegar Antenor como a própria revolução; os mestres indignavam-se porque ele aprendia ao contrario do que ensinavam; os amigos odiavam-no; os transeuntes, vendo-o passar, sorriam.

Uma só coisa descobriu a mãe de Antenor para não ser forçada a mandá-lo embora: Antenor nada do que fazia, fazia por mal. Ao contrário. Era escandalosamente, incompreensivelmente bom. Aliás, só para ela, para os olhos maternos. Porque quando Antenor resolveu arranjar trabalho para os mendigos e corria a bengala os parasitas na rua, ficou provado que Antenor era apenas doido furioso. Não só para as vítimas da sua bondade como para a esclarecida inteligência dos delegados de polícia a quem teve de explicar a sua caridade.

Com o fim de convencer Antenor de que devia seguir os tramitas legais de um jovem solar, isto é: ser bacharel e depois empregado público nacionalista, deixando à atividade da canalha estrangeira o resto, os interesses congregados da família em nome dos princípios organizaram vários meetings como aqueles que se fazem na inexistente democracia americana para provar que a chave abre portas e a faca serve para cortar o que é nosso para nós e o que é dos outros também para nós. Antenor, diante da evidência, negou-se.

— Ouça! bradava o tio. Bacharel é o princípio de tudo. Não estude. Pouco importa! Mas seja bacharel! Bacharel você tem tudo nas mãos. Ao lado de um político-chefe, sabendo lisonjear, é a ascensão: deputado, ministro.

— Mas não quero ser nada disso.

— Então quer ser vagabundo?

— Quero trabalhar.

— Vem dar na mesma coisa. Vagabundo é um sujeito a quem faltam três coisas: dinheiro, prestígio e posição. Desde que você não as tem, mesmo trabalhando — é vagabundo.

— Eu não acho.

— É pior. É um tipo sem bom senso. É bolchevique. Depois, trabalhar para os outros é uma ilusão. Você está inteiramente doido.

Antenor foi trabalhar, entretanto. E teve uma grande dificuldade para trabalhar. Pode-se dizer que a originalidade da sua vida era trabalhar para trabalhar. Acedendo ao pedido da respeitável senhora que era mãe de Antenor, Antenor passeou a sua má cabeça por várias casas de comércio, várias empresas industriais. Ao cabo de um ano, dois meses, estava na rua. Por que mandavam embora Antenor? Ele não tinha exigências, era honesto como a água, trabalhador, sincero, verdadeiro, cheio de idéias. Até alegre — qualidade raríssima no país onde o sol, a cerveja e a inveja faziam batalhões de biliosos tristes. Mas companheiros e patrões prevenidos, se a princípio declinavam hostilidades, dentro em pouco não o aturavam. Quando um companheiro não atura o outro, intriga-o. Quando um patrão não atura o empregado, despede-o. É a norma do País do Sol. Com Antenor depois de despedido, companheiros e patrões ainda por cima tomavam-lhe birra. Por que? É tão difícil saber a verdadeira razão por que um homem não suporta outro homem!

Um dos seus ex-companheiros explicou certa vez:

— É doido. Tem a mania de fazer mais que os outros. Estraga a norma do serviço e acaba não sendo tolerado. Mau companheiro. E depois com ares...

O patrão do último estabelecimento de que saíra o rapaz respondeu à mãe de Antenor:

— A perigosa mania de seu filho é por em prática idéias que julga próprias.

— Prejudicou-lhe, Sr. Praxedes?

Não. Mas podia prejudicar. Sempre altera o bom senso. Depois, mesmo que seu filho fosse águia, quem manda na minha casa sou eu.

No País do Sol o comércio ë uma maçonaria. Antenor, com fama de perigoso, insuportável, desobediente, não pôde em breve obter emprego algum. Os patrões que mais tinham lucrado com as suas idéias eram os que mais falavam. Os companheiros que mais o haviam aproveitado tinham-lhe raiva. E se Antenor sentia a triste experiência do erro econômico no trabalho sem a norma, a praxe, no convívio social compreendia o desastre da verdade. Não o toleravam. Era-lhe impossível ter amigos, por muito tempo, porque esses só o eram enquanto. não o tinham explorado.

Antenor ria. Antenor tinha saúde. Todas aquelas desditas eram para ele brincadeira. Estava convencido de estar com a razão, de vencer. Mas, a razão sua, sem interesse chocava-se à razão dos outros ou com interesses ou presa à sugestão dos alheios. Ele via os erros, as hipocrisias, as vaidades, e dizia o que via. Ele ia fazer o bem, mas mostrava o que ia fazer. Como tolerar tal miserável? Antenor tentou tudo, juvenilmente, na cidade. A digníssima sua progenitora desculpava-o ainda.

— É doido, mas bom.

Os parentes, porém, não o cumprimentavam mais. Antenor exercera o comércio, a indústria, o professorado, o proletariado. Ensinara geografia num colégio, de onde foi expulso pelo diretor; estivera numa fábrica de tecidos, forçado a retirar-se pelos operários e pelos patrões; oscilara entre revisor de jornal e condutor de bonde. Em todas as profissões vira os círculos estreitos das classes, a defesa hostil dos outros homens, o ódio com que o repeliam, porque ele pensava, sentia, dizia outra coisa diversa.

— Mas, Deus, eu sou honesto, bom, inteligente, incapaz de fazer mal...

— É da tua má cabeça, meu filho.

— Qual?

— A tua cabeça não regula.

— Quem sabe?

Antenor começava a pensar na sua má cabeça, quando o seu coração apaixonou-se. Era uma rapariga chamada Maria Antônia, filha da nova lavadeira de sua mãe. Antenor achava perfeitamente justo casar com a Maria Antônia. Todos viram nisso mais uma prova do desarranjo cerebral de Antenor. Apenas, com pasmo geral, a resposta de Maria Antônia foi condicional.

— Só caso se o senhor tomar juízo.

— Mas que chama você juízo?

— Ser como os mais.

— Então você gosta de mim?

— E por isso é que só caso depois.

Como tomar juízo? Como regular a cabeça? O amor leva aos maiores desatinos. Antenor pensava em arranjar a má cabeça, estava convencido.

Nessas disposições, Antenor caminhava por uma rua no centro da cidade, quando os seus olhos descobriram a tabuleta de uma "relojoaria e outros maquinismos delicados de precisão". Achou graça e entrou. Um cavalheiro grave veio servi-lo.

— Traz algum relógio?

— Trago a minha cabeça.

— Ah! Desarranjada?

— Dizem-no, pelo menos.

— Em todo o caso, há tempo?

— Desde que nasci.

— Talvez imprevisão na montagem das peças. Não lhe posso dizer nada sem observação de trinta dias e a desmontagem geral. As cabeças como os relógios para regular bem...

Antenor atalhou:

— E o senhor fica com a minha cabeça?

— Se a deixar.

— Pois aqui a tem. Conserte-a. O diabo é que eu não posso andar sem cabeça...

— Claro. Mas, enquanto a arranjo, empresto-lhe uma de papelão.

— Regula?

— É de papelão! explicou o honesto negociante. Antenor recebeu o número de sua cabeça, enfiou a de papelão, e saiu para a rua.

Dois meses depois, Antenor tinha uma porção de amigos, jogava o pôquer com o Ministro da Agricultura, ganhava uma pequena fortuna vendendo feijão bichado para os exércitos aliados. A respeitável mãe de Antenor via-o mentir, fazer mal, trapacear e ostentar tudo o que não era. Os parentes, porem, estimavam-no, e os companheiros tinham garbo em recordar o tempo em que Antenor era maluco.

Antenor não pensava. Antenor agia como os outros. Queria ganhar. Explorava, adulava, falsificava. Maria Antônia tremia de contentamento vendo Antenor com juízo. Mas Antenor, logicamente, desprezou-a propondo um concubinato que o não desmoralizasse a ele. Outras Marias ricas, de posição, eram de opinião da primeira Maria. Ele só tinha de escolher. No centro operário, a sua fama crescia, querido dos patrões burgueses e dos operários irmãos dos spartakistas da Alemanha. Foi eleito deputado por todos, e, especialmente, pelo presidente da República — a quem atacou logo, pois para a futura eleição o presidente seria outro. A sua ascensão só podia ser comparada à dos balões. Antenor esquecia o passado, amava a sua terra. Era o modelo da felicidade. Regulava admiravelmente.

Passaram-se assim anos. Todos os chefes políticos do País do Sol estavam na dificuldade de concordar no nome do novo senador, que fosse o expoente da norma, do bom senso. O nome de Antenor era cotado. Então Antenor passeava de automóvel pelas ruas centrais, para tomar pulso à opinião, quando os seus olhos deram na tabuleta do relojoeiro e lhe veio a memória.

— Bolas! E eu que esqueci! A minha cabeça está ali há tempo... Que acharia o relojoeiro? É capaz de tê-la vendido para o interior. Não posso ficar toda vida com uma cabeça de papelão!

Saltou. Entrou na casa do negociante. Era o mesmo que o servira.

— Há tempos deixei aqui uma cabeça.

— Não precisa dizer mais. Espero-o ansioso e admirado da sua ausência, desde que ia desmontar a sua cabeça.

— Ah! fez Antenor.

— Tem-se dado bem com a de papelão? — Assim...

— As cabeças de papelão não são más de todo. Fabricações por séries. Vendem-se muito.

— Mas a minha cabeça?

— Vou buscá-la.

Foi ao interior e trouxe um embrulho com respeitoso cuidado.

— Consertou-a?

— Não.

— Então, desarranjo grande?

O homem recuou.

— Senhor, na minha longa vida profissional jamais encontrei um aparelho igual, como perfeição, como acabamento, como precisão. Nenhuma cabeça regulará no mundo melhor do que a sua. É a placa sensível do tempo, das idéias, é o equilíbrio de todas as vibrações. O senhor não tem uma cabeça qualquer. Tem uma cabeça de exposição, uma cabeça de gênio, hors-concours.

Antenor ia entregar a cabeça de papelão. Mas conteve-se.

— Faça o obséquio de embrulhá-la.

— Não a coloca?

— Não.

— V.EX. faz bem. Quem possui uma cabeça assim não a usa todos os dias. Fatalmente dá na vista.

Mas Antenor era prudente, respeitador da harmonia social.

— Diga-me cá. Mesmo parada em casa, sem corda, numa redoma, talvez prejudique.

— Qual! V.EX. terá a primeira cabeça.

Antenor ficou seco.

— Pode ser que V., profissionalmente, tenha razão. Mas, para mim, a verdade é a dos outros, que sempre a julgaram desarranjada e não regulando bem. Cabeças e relógios querem-se conforme o clima e a moral de cada terra. Fique V. com ela. Eu continuo com a de papelão.

E, em vez de viver no País do Sol um rapaz chamado Antenor, que não conseguia ser nada tendo a cabeça mais admirável — um dos elementos mais ilustres do País do Sol foi Antenor, que conseguiu tudo com uma cabeça de papelão.

ASPAS II

"Acho melhor não nos falarmos mais.
Dessa vez pra valer.
Bom pra mim e pra você.
Espero em breve não sentir mais saudades suas
e nem ficar viajando no que poderia ter sido e não foi
- porque não foi mesmo e pronto.
O nosso tempo passou."

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Segunda...



















Muitas das coisas que são importantes para você, não representam nada para mim. Os juros dos seus cartões, seu cheque especial, sua fatura. Seus desempenhos escolares, esportivos... Nada disso torna minha segunda-feira menos infeliz. Não seria a ressaca, nem o respiro castigado pela fumaça do cigarro inapagável, não. É um furo ainda sem dimensões e meu sobrinho diz; "ah, como seria bom se hoje fosse domingo de novo... seria bom demais...".













Remédio para segunda-feira é brincar feito criança.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Todo ódio ao mês de fevereiro!



Este é mais um relato que possui maternidade no tédio e, no seio do ostracismo, rege a sua sinfonia de presságios fundados tão-somente no campo das suposições.

Quinta-feira. Dia de sol bravio e ressaca. Vinho barato e fezes escuras caem das nuvens em cima das pessoas que tomam ônibus e tombam a vida - no pior sentido - em busca do ouro e outros mantimentos como celulares e bolsas de grifes francesas, ou, garotões que tomam cerveja belga ouvindo "death metal" em carros que seus pais emprestaram.

Continuo sem estímulos, sem contetamentos e vez por outra, alivio o tempo com um café fresco,
bem forte e amargo. Mesmo assim, o silêncio respira ao meu lado e quieto fico. Imóvel e despreocupado.

[ Quem é Ela?]

As pessoas ao redor, não passam de figurantes que não falam.

Pior, demonstram uma coisa que intitulam "entusiasmo", mas, vejo sempre dentro deste feitiço, uma mágoa ainda em botão. Logo o espinho é tocado e depois, a mágoa colhida, comida e formidavelmente enaltecida.

Eu queria era mais um gole. Mais um trago, mais um tango, mais um poema medíocre e míope! Eu queria era uma tonelada de pólvora e fazer um show pirotécnico dentro da prefeitura com todo mundo dentro!

Queria mesmo, era sair com uma garrafa de vodca na mão e uma bomba na outra! sim, isso eu queria! Correr batendo o pé na bunda como um infante!

Depois de todo o fogo - o mesmo que cremará meus restos-, queria recitar poemas de amor e loucuras! louvores pornográficos ao luar e bradar o triunfo das bicicletas que destruiram o reinado atômico dos grandes camaleões que usam calcinhas e consolos quando ninguém os observa...

Queria matar o vereador do meu bairro.

Queria que ela visse o meu soneto, queria que ela soubesse e que não soubesse ao mesmo tempo. Queria que todas as pessoas do mundo sumissem e eu pudesse andar com meu cachorro por aí sem medo de carros, ladrões, horários e cristões.

Mas,

nada corresponde com o que realmente posso.

Talvez eu tome mais uma xícara de café e pense em acender mais um cigarro e pense no cancêr vindouro. Talvez seja até melhor. Ou não...

Por hora,
fuck off and die!

Mil maldições para tod@s!





[ Poste ameaçando palmeiras - Maranhão, janeiro 010]