Sim,
"Os brutos também amam"...
...
E de forma violenta...
tal e qual
o desabrochar de uma flor!
Ou ainda como o movimentar
de sapatilhas aladas!
Ou como a grande implosão
que trazemos dentro do peito...
Os brutos leem poemas e
fazem café forte e
amargo
para acompanhar
seus cigarros.
Os brutos morrem
de medo de envelhecer
sozinhos,
por isso mesmo,
os brutos,
vão para o campo
arar estrelas
em suas bicicletas
de cestos e garupas...
quinta-feira, 22 de abril de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
Café para dois
Uma sopa de silêncio e chuva.
Não um silêncio manco,
ausente,
mudo... não...
este não,
"nanão",
não mesmo...
Um silêncio
harmonioso,
enlaçado
entre os
braços
e
outros clichês
de noites chuvosas...
Ah,
este pulso
taqui
qui qui qui qui qui
cárdico
que levo dentro do bolso,
que sinto dentro
do livro,
do teu nome,
da falta do teu nome,
da curva dos teus cabelos
curtos
onde cabe uma
rede e um balanço...
Este tudo que ainda não pulsei,
bate à porta e não pede licença...
Entra e diz;
Café para dois.
Não um silêncio manco,
ausente,
mudo... não...
este não,
"nanão",
não mesmo...
Um silêncio
harmonioso,
enlaçado
entre os
braços
e
outros clichês
de noites chuvosas...
Ah,
este pulso
taqui
qui qui qui qui qui
cárdico
que levo dentro do bolso,
que sinto dentro
do livro,
do teu nome,
da falta do teu nome,
da curva dos teus cabelos
curtos
onde cabe uma
rede e um balanço...
Este tudo que ainda não pulsei,
bate à porta e não pede licença...
Entra e diz;
Café para dois.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Um café, Um café de verdade...
Eu,
com todas minhas manias,
desgostos,
fúrias e louvores silenciosos,
seguraria suas mãos.
Eu,
de medidas estranhas,
de sangue amargo,
de cabeça baixa,
de chuva no pensamento,
brincaria com seus cabelos
e pensaria num vento forte,
talvez,
sim,
dentro de um talvez
você fosse apanhada pelo sono.
Eu,
tão verborrágico no silêncio,
tão desfeito de métricas,
tão desprovido de metas,
tão relaxado,
tão ex-sonhador...
paro e penso
nestes olhos que sei que são seus...
Eu,
sabendo que um raio não sabe nadar,
sabendo que um dia o Ferroviário será campeão,
sabendo que as festas sempre serão enfadonhas,
que os músculos da tua perna são rijos, sabendo
dos cigarros adornando com fumaça nosso quando,
sabendo que Buñuel é o melhor do mundo,
que a taça de vinho é nossa,
que os espelhos quebrados não servem como antes,
que a minha lista de desejos é imensa,
que seu balançador será posto no local adequado,
que sua presença é assustadoramente apreciada,
que eu fico trêmulo algumas vezes,
que eu não sei, que eu não sei, que eu não sei...
Mas sei que sinto
algo na garganta ainda sem nome.
com todas minhas manias,
desgostos,
fúrias e louvores silenciosos,
seguraria suas mãos.
Eu,
de medidas estranhas,
de sangue amargo,
de cabeça baixa,
de chuva no pensamento,
brincaria com seus cabelos
e pensaria num vento forte,
talvez,
sim,
dentro de um talvez
você fosse apanhada pelo sono.
Eu,
tão verborrágico no silêncio,
tão desfeito de métricas,
tão desprovido de metas,
tão relaxado,
tão ex-sonhador...
paro e penso
nestes olhos que sei que são seus...
Eu,
sabendo que um raio não sabe nadar,
sabendo que um dia o Ferroviário será campeão,
sabendo que as festas sempre serão enfadonhas,
que os músculos da tua perna são rijos, sabendo
dos cigarros adornando com fumaça nosso quando,
sabendo que Buñuel é o melhor do mundo,
que a taça de vinho é nossa,
que os espelhos quebrados não servem como antes,
que a minha lista de desejos é imensa,
que seu balançador será posto no local adequado,
que sua presença é assustadoramente apreciada,
que eu fico trêmulo algumas vezes,
que eu não sei, que eu não sei, que eu não sei...
Mas sei que sinto
algo na garganta ainda sem nome.
Aspas e aspas para o dia de ontem.
" Ah, como me dói
o dedo grande do pé direito!
E o coração, o coração, inefável unha
crescida na carne!"
Marin Sorescu
o dedo grande do pé direito!
E o coração, o coração, inefável unha
crescida na carne!"
Marin Sorescu
terça-feira, 13 de abril de 2010
Um sopro e um encanto
Um saxofone ocupava o meu sonho
quando ela abraçava o travesseiro
e a lembrança dum banco verde.
Eu quero voar e não temer a altura.
Quero não estar à deriva.
Que os ventos venham brandos.
Que em seu leito as dores cessem.
Que o café não amargue nossas bocas.
Um saxofone soprado por alguém sem rosto.
Uma tinta verde.
Um encanto.
Até deslembrei da cebola,
da faca e
do corte em meu polegar esquerdo...
Um encanto.
quando ela abraçava o travesseiro
e a lembrança dum banco verde.
Eu quero voar e não temer a altura.
Quero não estar à deriva.
Que os ventos venham brandos.
Que em seu leito as dores cessem.
Que o café não amargue nossas bocas.
Um saxofone soprado por alguém sem rosto.
Uma tinta verde.
Um encanto.
Até deslembrei da cebola,
da faca e
do corte em meu polegar esquerdo...
Um encanto.
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