quarta-feira, 20 de junho de 2012

Digitado em louvor ao Desejo

feito bicho no sofá
querendo mais
como traça em livro, aliás,
feito traça em tomo,
e te tomo pelas ancas e
te divido, e te deixo de lado e do outro
e nos embreagamos
e satisfeitos,
com cheiros de convites
e sem respiração
pois a ofegante já morreu sem ar
nos carregamos dentro do suor
por debaixo de cada unha
e te toco
como uma sin-fonia
onde todas as cordas são aproveitadas
e com vigor
tua língua fremeia as ondas
e escudeiam
os tímpanos com saliva
e risos em tons maiores
de vividez
e feito bicho
nos beijamos
e feito brasas
silenciosamente
urramos.

20/06/2012

Poderia falar
do seu cabelo curto lindo
e cortado,
ou ainda,
da cerveja gelada
que goteja riso e mais riso,
ou ainda
eu ao espelho
ou frente
aos teus olhos
falando do riso dela,
dela tu
delata,
onde o riso aflora
e a alfavaca rija e alta
te perfuma como a noite
e teu suor na língua
que doce,
me altera e nos deglutimos
em riso com as sacolas
na mão,
cheias de conversas
e luzes para compor
fotografias e poemas,
como quem tricota
e ri da própria fala...
um destaque sublime e belo,
e nesse momento,
não quero saber de esteticar,
só quero delatar meu querer aos olhos dela
enquanto verso,
carinho enquanto beijo,
e certeza quando penso e falo
e exprimo e corroboro em tríade:
tudo é permitido.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

sábado, 26 de maio de 2012

poesia é o aterro
um cinzeiro
um beijo
e uma e outras mãos
significando
o que antes poderia
ser
um ato comum,
mas, agora,
um beijo não é só um beijo.
existe algo mais, e ela sabe,
não a poesia,
mas
a mulher que derruba do altar
a patética figura da musa
que me arrasta ao sonho;
é
assim. dessas coisas de paixão e fogo.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A vida não será facebookada

Da febre;
pouco ar e
muita dor

onde respinga
amarga a mancha
o pulmão dolorido
a tosse
a dor que não sei
bem onde principia,
mas
a sinto como
se fosse
fogo
ateado em minhas roupas
ou ainda espigas atravessadas por agulhas.

Eu também febreio meu Amor.

Vai passar.
Vai sarar.


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Dístico sobre a serenidade



Muito cuidado com o sereno
à sua garganta é um veneno...

Emoção não-removível


Os trilhos não passarão por sobre a vida

Os atalhos nem sempre são desvios,
e,
o que se impõem como avanço,
mesmo não sendo novo,
é o mais puro retrocesso.

A memória não é uma estação
onde se deixam bagagens para despacho.
A memória habita o todo,
não o espaço, mas, o lugar...
A imperatividade das botas
e o lustre dos sapatos engraxados
ganha mais força junto ao cassetete,
e ao documento oficial que te obriga
a deixar tua memória debaixo da terra,
tua vivência em baixo da terra e tua própria vida
por debaixo da terra...

Esta rua não leva a nenhum caminho.
E teus trilhos que não são leves,
não nos mostram nada,
a não ser um monstro
que se esconde dentro
da ferrugem,
até dentro do inoxidável vagão italiano,
que de tanto atalho, retalhará a cidade.
E atrelado a tudo isso,
a remoção de vidas, a remoção da memória
a destruição da própria emoção.