quinta-feira, 17 de maio de 2012

Emoção não-removível


Os trilhos não passarão por sobre a vida

Os atalhos nem sempre são desvios,
e,
o que se impõem como avanço,
mesmo não sendo novo,
é o mais puro retrocesso.

A memória não é uma estação
onde se deixam bagagens para despacho.
A memória habita o todo,
não o espaço, mas, o lugar...
A imperatividade das botas
e o lustre dos sapatos engraxados
ganha mais força junto ao cassetete,
e ao documento oficial que te obriga
a deixar tua memória debaixo da terra,
tua vivência em baixo da terra e tua própria vida
por debaixo da terra...

Esta rua não leva a nenhum caminho.
E teus trilhos que não são leves,
não nos mostram nada,
a não ser um monstro
que se esconde dentro
da ferrugem,
até dentro do inoxidável vagão italiano,
que de tanto atalho, retalhará a cidade.
E atrelado a tudo isso,
a remoção de vidas, a remoção da memória
a destruição da própria emoção.

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